21 janeiro 2008

Quando éramos pequenos, o meu pai passava a noite toda a fumar, entre o telejornal e a novela brasileira. Os rolos de fumo iam-se espalhando da sala para o resto da casa, como uma ondulação. Durante a noite filtrávamos o ar com os pulmões. Lembro-me também das visitas ao pediatra. Quando entrava, acompanhado pela minha mãe, o consultório estava envolto em fumo e o médico dava a consulta de cigarro da boca. «O que é que tem o miúdo?» «São os pulmões, sr. doutor. Está com uma tosse de cão.» Fumava-se sem culpa. Até os Radio Macau faziam boas letras sobre fumadores (Vai-se o tempo desfiando em anéis de fumo baço.) Ah, os bons velhos tempos. Sempre que me dá a nostalgia, dá-me também vontade de acender um cigarro, inclinar a cabeça para trás e libertar o fumo devagar. Um cigarro imaginário, para um fumador imaginário.

5 comentários:

Anónimo disse...

É como depois do sexo. Nos filmes, há sempre alguém que acende um cigarro a seguir. Se o fumo não me incomodasse tanto, faria o mesmo.

Cláudia disse...

Também me lembro desse fumo todo na sala. Desde os dez anos que sou asmática.

Joana disse...

Olá, Cláudia! Curioso, eu deixei de ter ataques de asma poucos anos depois de o meu pai deixar de fumar. Até lá, também vivia no nevoeiro. Ou então passava as noites na cozinha, a ver a minha mãe a lavar a loiça (que era um processo demorado, tendo em conta que era tudo a multiplicar por 9)enquanto fazia os deveres.

Anna Nicole Smith disse...

Já eu, sempre que tinha sexo, toda a gente no bairro fumava um cigarro.

ps disse...

bem! O rapaz só queria falar da corelação entre fumar em casa e os problemas de asma...agora vem para aqui malta fazer correlações entre comportamentos do estilo faço sexo a seguir fumo...assim não dá...
:))
ps:Eu não fumo, mas faço sexo